quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Costume



Eu costumava usar salto alto, até o dia em que torci o pé. Eu costumava sair sem guarda-chuva, até o dia em que choveu. Eu costumava dormir mascando chiclete, até o dia que acordei com o cabelo grudado. Eu costumava caminhar pela mesma estrada, até o dia em que a destruíram. Eu costumava pintar as unhas de vermelho, até o dia que o esmalte acabou. Eu costumava desenhar gente, até o dia que a ponta do lápis quebrou. Eu costumava sorrir para as crianças, até o dia em que vi uma chorando. Eu costumava contemplar a beleza do mar, até o dia em que o vi poluído. Eu costumava ouvir as mesmas músicas, até o dia em que aquela cantora morreu. Eu costumava fazer poesias para um amor, até o dia em que ele se foi. Eu costumava pentear meus lindos cabelos, até o dia em que os cortei. Eu costumava abraçar o travesseiro, até o dia em que ele não tinha mais seu cheiro. Eu costumava colher flores, até o dia em que a primavera acabou...
E ela não mais voltou,
E você não mais voltou,
E tudo mudou...
E eu aprendi a usar sapatilhas que machucam os pés. Aprendi a usar guarda-sol, mesmo quando não tem sol. Aprendi a odiar chicletes. Aprendi a caminhar pelos becos escuros. Aprendi a só usar esmalte preto. Aprendi a desenhar na areia. Aprendi a ser séria e distante. Aprendia fechar os olhos quando, de longe, avisto o mar. Aprendi a não gostar mais de músicas. Aprendi a desacreditar no amor. Aprendi a esconder meus cabelos. Aprendi a dormir sem travesseiro. Aprendi a não procurar mais flores.
E, finalmente, eu aprendi a esquecer dos meus amores.
E hoje não sinto mais dores, nem temores, nem fervores, nem rancores.
Tudo é questão de costume!

Um comentário:

  1. Gostei de: O Costume. Muito bom!
    No início achei estranho, nada a ver, mas no final tudo faz sentido.

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"Pra fazer poesia
tem que ter inspiração,

Se forçar...
Nunca vai ficar boa" - Vinícius de Moraes.

"Enquanto Eu tiver perguntas e não haver respostas... Continuarei a escrever"

- Clarice Lispector.

Meu mundo infinito particular:

Eu, somente eu
Escrito por mim sozinho
Ninguém mais do que eu
Minha voz, sou eu sozinho

De fato é difícil conviver assim
Com tudo aquilo que eu quero de mim
De fato é pesado ter que aceitar
Toda a realidade que sinto no ar

Por isso a poesia não me abandonou
nunca Me deixou
Por isso a poesia não me abandonou
nunca me deixou - A Poesia e Eu #Catedral.


Música e poesia, uma combinação perfeita para que eu entre nesse meu mundo particular, onde a natureza faz rimas só pra mim, e eu vivo infinitas possibilidades.

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